Substituir um projetor ou uma tabela de parede por um sistema de acuidade em computador leva cerca de meia hora e algumas escolhas de configuração bem definidas. Este guia percorre cada etapa para que o seu optotipo digital fique calibrado para a sua própria sala e pronto para uso clínico.
O que você precisa antes de começar
- Uma tela de 20–24″ para o paciente (preferencialmente fosca ou antirreflexo)
- Qualquer computador moderno com um navegador web
- Uma trena e o software de acuidade
Configuração passo a passo
Etapa 1 — Escolha e posicione a tela do paciente
Selecione um monitor com resolução nativa alta o suficiente para renderizar optotipos pequenos com nitidez. Instale-o na altura dos olhos do paciente, na extremidade oposta da sala de exame. Evite telas brilhantes que refletem a iluminação do ambiente, o que reduz o contraste efetivo.
Etapa 2 — Configure o layout de duas telas
Defina a tela de controle do clínico como monitor principal e o monitor voltado ao paciente como monitor secundário, em modo estendido. O AcuityMaster é executado em uma única janela do navegador, portanto arraste essa janela para o monitor do paciente e pressione H para ocultar o menu de controle — o paciente então vê apenas o optotipo. Também estão disponíveis os modos de tela única e espelhamento para salas de exame compactas.
Etapa 3 — Meça a distância do paciente até a tela
Meça a distância exata entre o local onde o paciente se senta e a face do monitor, em pés ou metros. A precisão aqui é importante: o software usa esse número para calcular os tamanhos corretos dos optotipos. Se você usar um espelho, meça o comprimento total do caminho óptico.
Etapa 4 — Calibrar o tamanho do optotipo
Insira no software a distância e as dimensões físicas da tela. Ele então calcula o tamanho correto em pixels para cada linha de acuidade, de modo que, por exemplo, a linha 20/20 subtenda exatamente 5 minutos de arco na sua distância específica. Verifique medindo uma letra exibida em relação ao guia de calibração na tela.
Passo 5 — Ajuste a luminância do monitor
Busque um fundo branco entre 80 e 320 cd/m² — a faixa especificada pelas normas de optotipos de acuidade. A maioria dos monitores clínicos fica nessa faixa com aproximadamente 70–85% de brilho sob iluminação ambiente normal, mas isso é uma regra prática, não uma medição: somente um medidor de luminância informa o que a sua própria tela está fazendo.
Etapa 6 — Configure o modo espelho, se necessário
Em salas de exame curtas, ative o modo espelho para inverter o optotipo e exibi-lo por meio de um espelho atrás do paciente. O software inverte os optotipos para que sejam lidos corretamente no reflexo.
Como verificar a configuração antes de confiar nela
Uma sala de exame configurada não é o mesmo que uma sala de exame correta. Três verificações levam cinco minutos e detectam quase tudo o que costuma dar errado.
Verifique a distância física, não a distância inserida
Meça desde a posição do olho do paciente — o apoio de cabeça ou a frente da cadeira, não a parte de trás — até a face da tela. Uma sala configurada como 20 pés, mas que na verdade tem 18 pés 6 polegadas, exibe cada optotipo cerca de 8% maior do que o devido, o que basta para deslocar em uma linha um paciente limítrofe. Meça novamente após qualquer mudança de mobiliário; cadeiras mudam de lugar.
Confira um optotipo com uma régua
Exiba uma letra 20/200 e meça sua altura no vidro. A 20 pés, um optotipo 20/200 deve ter cerca de 88 mm de altura; o valor exato varia linearmente com a distância. Se a altura medida não corresponder ao que a distância indica, o dimensionamento da tela está errado — normalmente uma configuração de escala de exibição do sistema operacional, e não o software.
Vá até a cadeira do paciente e observe
Sente-se onde o paciente se senta. Verifique se há reflexos de janelas ou de luminárias no plano da tela, reflexos do monitor do técnico e se o optotipo está centralizado na altura dos olhos. Os problemas invisíveis da posição do técnico são justamente os que degradam silenciosamente todas as medições naquela sala.
Configurações de tela que comprometem o teste de acuidade
Telas de consumo vêm com processamento que ajuda filmes e prejudica optotipos. Desative estes recursos na tela voltada ao paciente:
- Contraste dinâmico e brilho automático — eles alteram a luminância conforme o conteúdo da tela, de modo que um optotipo com fundo predominantemente branco é tratado de forma diferente de um predominantemente preto.
- Night shift, filtros de luz azul e cor adaptativa — mudanças de cor programadas fazem com que um resultado da tarde não seja comparável a um da manhã.
- Nitidez e realce de bordas — eles tornam artificialmente mais nítidas as bordas dos optotipos, que é justamente a pista que o teste tenta medir.
- Escurecimento para economia de energia — uma tela que escurece após inatividade estará escura no momento em que o paciente for ler.
Coloque a tela no modo de imagem padrão ou sRGB, fixe o brilho e deixe assim. Depois anote a configuração, porque alguém vai alterá-la.
Clínicas com várias salas: mantendo as salas comparáveis
O objetivo da padronização é que um paciente atendido hoje na sala 3 e na sala 1 no mês que vem produza números comparáveis. Isso exige a mesma distância de teste em todas as salas, sempre que possível — e, quando não for possível, a distância registrada por sala e o software configurado por sala, em vez de copiado.
Duas salas com o mesmo modelo de monitor, a mesma distância e o mesmo ajuste de brilho vão concordar. Duas salas que diferem em qualquer um dos três não vão, e a diferença parecerá uma mudança clínica no prontuário.
O que reverificar, e quando
| Situação | O que verificar |
|---|---|
| Novo monitor, ou monitor trocado entre salas | Distância, tamanho do optotipo conferido com uma régua, brilho, modo de imagem |
| Sala ou mobiliário reorganizado | Distância medida, altura do optotipo, reflexos a partir da cadeira do paciente |
| Atualização do sistema operacional | Escalonamento da tela — as atualizações o redefinem, e ele redimensiona o optotipo silenciosamente |
| Novo técnico | Que ele saiba que a distância é fixa e não deve ser “ajustada” a cada paciente |
| Rotina | Uma conferência com régua uma ou duas vezes por ano leva dois minutos |
A calibração é tudo. Um optotipo digital é tão preciso quanto seu ajuste de distância. Reverifique a calibração sempre que mover o monitor ou alterar a disposição da sala de exame.
Por que o software supera um projetor neste caso
Uma vez calibrado, um sistema digital oferece todos os tipos de optotipo — Snellen, ETDRS, visão de cores, acuidade com contraste reduzido, Worth 4-Dot e optotipos pediátricos — na mesma tela, com letras randomizadas para evitar a memorização. Não há lâmpadas para trocar nem tempo de aquecimento entre pacientes.
Mark S. Brown, MD
Cirurgião oculoplástico na Oculo-Facial Consultants e fundador da AcuityMaster. Em prática clínica desde 1998, o Dr. Brown criou o AcuityMaster para levar testes de acuidade com dimensionamento correto e calibrados para a distância a todas as salas de exame.